Cada uma a seu modo, elas encararam o desafio de velejar de Cumbuco (CE) a Barra Grande (PI) no maior rally da modalidade, desbravaram os mares e mostraram que as mulheres cada vez mais conquistam seu espaço nesse esporte.

Lugar de mulher é onde ela quiser. Essa máxima foi reforçada no XP Sertões Kitesurf, maior rally da modalidade no planeta, onde elas fizeram barulho. A representatividade cresceu um pouco: 13 de um total de 76 participantes na edição desse ano, contra 10 no ano passado. O rally levou os atletas do Cumbuco (CE) a Barra Grande (PI) em cinco dias de prova e 440km para o percurso. Cada uma a seu jeito, e no seu ritmo, elas viveram uma aventura única e mostraram sua força.

Com direito a histórias de superação e empenho, como a da argentina Julieta Biasotti. Acostumada a participar de competições de vela olímpica desde pequena – tanto em seu país natal quanto na Itália, onde também viveu –; ela sofreu há nove anos um acidente de trânsito que afetou a bacia. Este ano, chegou a ficar três meses sem caminhar.

Um encontro com o instrutor e coach Tomaz André da Soul Kite em um downwind no Rio Grande do Norte despertou a ideia de competir,  algo que por causa do estado físico, não parecia possível por agora.  Uma técnica bem-sucedida de recuperação antecipou os planos. E as dúvidas sobre o desempenho foram rapidamente desfeitas. Se a ideia era de ‘apenas’ completar o rally, ela venceu a categoria Elite como mais rápida em todas as regatas.

Campeã na Pro, Gabi Reynard trouxe consigo a experiência no trabalho de instrutora no Preá, um dos principais points da modalidade. E uma história curiosa no Sertões: no ano passado, estava na equipe de resgatistas, até que surgiu a possibilidade de se inscrever, inclusive com patrocínio. O abandono em uma das etapas frustrou o sonho do título, apenas adiado. A garra mostrada na edição inaugural, aliás, valeu de presente um kite entregue pela organização às revelações do evento.

Sua principal rival, aliás, é um exemplo de como o esporte pode ser sinônimo de inclusão e oportunidades. Com apenas 18 anos, a piauiense Bia Silva teve seu primeiro contato com o kitesurfe por meio de um projeto social em Barra Grande (PI). Assim, ganhou a chance de mostrar seu talento inclusive no exterior. Não que o caminho tenha sido fácil – sem dinheiro para comprar o equipamento, se afastou das competições para se concentrar no trabalho de instrutora. O empenho foi premiado com um novo kite e, com a ajuda de vaquinhas, ela pôde disputar e vencer o Brasileiro de Big Air e chegar ao Sertões.

A paulista Denise Hajjar foi uma das participantes da edição inaugural em 2021, movida pela oportunidade de velejar ao lado do filho, Pedro. Foi campeã da Master e, apaixonada com a atmosfera da prova e o clima de confraternização entre os atletas, não pensou duas vezes em retornar. E levou para casa mais um troféu de campeã, agora na Gran Master, divisão criada este ano. Marcela Montolar foi outra a repetir a experiência, com direito ao título da Adventure.

Em comum entre elas, o desejo de que, em 2023, a participação feminina seja ainda mais numerosa. O caminho foi aberto e não vão faltar acolhida e apoio para quem vier.

O que elas disseram:

Julieta Biasotti

“Eu não acredito que, depois de ficar um tempo sem sequer poder me sentar ou caminhar direito estou aqui, competindo. E foi minha primeira competição. Sinto que estou representando o kitesurf feminino. Cheguei entre os 10 primeiros na geral e vejo que nós estamos fazendo barulho. Estou muito orgulhosa e feliz”.

Bia Silva

“O rally foi o auge do meu 2022. O kite para mim é tudo. Agregar meus conhecimentos e minha experiência com a mulherada que está vindo aí e com as mulheres que já estão no esporte me faz aprender muito. O esporte salva vidas, como salvou a minha. Quero ver muitas mulheres na água e vou ajudar no que eu puder. É muito satisfatório ver as meninas competindo; o esporte ainda é dominado pelos homens. É por isso que estou na água todos os dias”.

Marcela Montolar

“Estou muito feliz por estar ao lado de mulheres incríveis, corajosas e admiráveis, que torcem umas pelas outras. Quando eu comecei, há sete anos, quase não havia mulheres na água. Que a gente as encoraje cada vez mais a estar aqui e superar seus limites e o mar esteja cheio delas ano que vem”.

Denise Hajjar

“As mulheres têm que se arriscar um pouco mais. Não é aquele bicho de sete cabeças, a gente acha que não vai conseguir, mas consegue sim. É muito gostoso ter todo mundo incentivando, é muito seguro, elas têm que deixar a timidez de lado e vir também”.

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